Um dia eu estava fazendo a limpa na "farmacinha" da minha bebê e ofereci alguns itens (ainda na validade, lógico): coisas duplicadas como escovinha, cortador de unhas, remédios que não iria mais precisar, uma lata lacrada de Nan Supreme e algumas roupinhas em um grupo do Whatsapp de mães. Minha intenção foi ajudar alguém que estivesse precisando porque fui muito abençoada ganhando muitas coisas no enxoval da minha filha e não ia precisar de tudo o que tinha.
Uma mulher começou a me ligar sem parar e enviar milhões de mensagens seguidas. Como eu detesto receber ligações, sobretudo de desconhecidos, deixei tocar e em algum momento ela parou. Foi aí que peguei o celular para responder as mensagens. O motivo era que ela queria tudo e seu afobamento foi devido ao desespero de eu por acaso doar para outra pessoa que não fosse ela. Respondi tentando acalmá-la, que daria preferência a ela, pensando "caramba, as coisas devem estar muito difíceis para ela, a pobrezinha deve estar precisando muito dar coisas para a filha e não tem a quem recorrer, que bom que posso ajudar." Só que alguns remédios eu tinha duplicado, tipo o de cólica que eram de três marcas diferentes mas do mesmo princípio ativo. Daí eu disse que tais remédios eram iguais e que ela poderia escolher o da marca que quisesse e eu doaria os outros para alguma outra mãe que também precisasse, ao que ela respondeu: "não, eu preciso dos três e tenho uma vizinha que também tem um bebê etc..." confesso que fiquei meio sem graça nessa hora, mas relevei porque de um jeito ou de outro uma outra pessoa também seria ajudada.
Pouco tempo depois ela mandou outra mensagem perguntando se eu fazia entrega. Daí eu pensei "não é possível! Se eu estivesse precisando de doação e e alguém me oferecesse eu daria um jeito de ir buscar" e disse que não fazia, informando que fazia pouco tempo que eu morava na cidade e não conhecia muita coisa. Não menti, realmente não conheço a localidade que ela me passou. Sem grandes problemas, ela mandou um mototáxi buscar no meu condomínio. Caso encerrado.
Só que não! Passados uns dias ela escreveu no grupo que o filho dela é um menino, o que eu não compreendi porque as roupas que doei eram de menina, mas não falei nada porque cada um sabe como veste o filho. Passou mais uma semana e ela apareceu no grupo vendendo os remédios que doei para ela e a cara de pau dela foi tão grande que nem se dignou de tirar novas fotos, usou as mesmas que tirei quando ofereci na doação. Fiquei tão chocada que não consegui falar nada, mas ao mesmo tempo me subiu uma raiva tão grande porque me senti trouxa que caiu na conversa de uma mau caráter. Coisas que eu queria doar para ajudar alguém foram usadas como comércio... quase dois meses depois ela ainda teve coragem de me mandar mensagem perguntando se eu teria mais coisas para doar para ela. De tão passada, apenas bloqueei e excluí o contato dela! Caridade agora só no bazar da igreja!




